A Amizade segundo Arístóteles na Ética a Nicômaco

julho 20, 2014 em Destaque, Eutrapelia, Filosofia por Fabiano Sampaio

Aristóteles, filósofo grego, discípulo de Platão, nasceu em Estagira no ano 384 a.C.
Devemos a ele o início da categorização e desenvolvimento de todas as áreas do saber conhecidas pelo Homem. E o modo de estruturar esses conhecimentos de forma lógica.

Feliz dia do amigo, a todas as pessoas que têm a paciência de permanecer comigo.

Excerto abaixo retirado da obra “Ética a Nicômaco”.1

Alexandre e Aristóteles“Assim como os motivos da amizade diferem em espécie, também diferem as respectivas formas de amizade. Existem três espécies de amizade e igual número de motivações do afeto, pois na esfera de cada espécie deve haver “afeição mutuamente reconhecida”.

Aqueles que têm amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade. Desse modo, aqueles cujo motivo é a utilidade não têm verdadeira amizade um pelo outro, mas apenas na medida em que recebem um bem do outro.

Aqueles cujo motivo é o prazer estão em caso semelhante, isto é, têm amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude de seu caráter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim aqueles cujo motivo da amizade é a utilidade amam seus amigos pelo que é bom para eles mesmos; aqueles, cujo motivo é o prazer, o fazem pelo que é prazeroso para si; ou seja, não em função daquilo que a pessoa estimada é, mas na medida em que ela é útil ou agradável. Essas amizades são circunstanciais, pois que o amigo não é amado por ser a pessoa que é, mas pelo que fornece de vantagem ou prazer, conforme o caso.

Tais amizades são de fato muito passíveis de dissolução se as partes não permanecem iguais, isto é, os outros cessam de ter amizade por eles quando deixam de ser agradáveis ou úteis. Ora, a natureza da utilidade não é de permanência, mas de constante variação. Assim, quando o motivo que os tornou amigos desaparece, a amizade também se dissolve; pois que existia apenas em relação àquelas circunstâncias.

A perfeita Amizade é a que subsiste entre aqueles que são bons (virtuosos) e cuja similaridade consiste na bondade, pois esses desejam o bem do outro de maneira semelhante, na medida em que são bons. E são especialmente amigos aqueles que desejam o bem sem qualquer outro interesse, porque assim se sentem em relação a eles e não por uma mera questão de circunstâncias. De modo que a Amizade entre esses homens permanece enquanto eles são bons e a bondade traz em si um princípio de permanência.

E são especialmente amigos aqueles que desejam o bem sem qualquer outro interesse, porque assim se sentem em relação a eles e não por uma mera questão de circunstâncias

São poucas as probabilidades de Amizade dessa espécie porque os homens assim são raros. Além disso, pressupõem-se todas as qualificações exigidas. Essas Amizades exigem ainda tempo e intimidade, pois, como diz o provérbio, “os homens não podem se conhecer até que tenham comido juntos a quantidade de sal necessária”. Nem podem, de fato, admitir um ao outro em sua intimidade, muito menos serem Amigos, até que cada um se mostre ao outro e dê provas de ser apropriado para a Amizade.

Aqueles que iniciam apressadamente uma troca de ações amigáveis demonstram que querem ser amigos, mas não o são, a menos que sejam também apropriados para a Amizade e se reconheçam mutuamente como tal, ou seja, o desejo de Amizade pode surgir rapidamente, mas não a Amizade propriamente dita.”

  1. Aristóteles. Ética a Nicômaco. Trad. it. Leonel Vallandro e Gerd Bornhein. da versão inglesa de W. D. Ross. Poética. Trad. br. Eudoro de Souza. Coleção Os Pensadores. Volume II, São Paulo: Abril Cultural, 1979.

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