Pelo direito a tudo o que se quer

dezembro 2, 2012 em Destaque, Notícia por Fabiano Sampaio

É bastante irônico como, de um modo geral, as pessoas entendam felicidade como algo simples: satisfazer-se em tudo o que se deseja.

Tanto mais, é tamanha a fixação por esse suposto axioma que caso apareça alguém dizendo “não é bem assim”, estas pessoas tomam isso como uma afronta ao máximo da possibilidade de “ser” em sua existência; uma agressão a sua identidade e sua Liberdade. E, obviamente, realizam mais uma satisfação: agridem os supostos agressores. Assim, chamam de “defesa”.

A notícia é recente. Exibida pela Rede TV, no programa “Cidade Alerta”, mostra o cúmulo do raciocínio de pessoas que se dizem “defender uma boa causa”.
A moça é Tamires Fernanda dos Santos Sozinho, de 19 anos, e foi presa no bairro Diamantino em Caxias do Sul, na casa de familiares. Ela diz defender a liberdade e ser contra qualquer forma de preconceito. Diz pertencer ao grupo de “skinheads” do segmento S.H.A.R.P – Skinheads Against Racial Prejudice (Skinheads contra o preconceito racial).

No entanto, ela tem muito em comum com você. Veja só:

Tamires FernandaHá quem irá dizer que a moça da notícia fez o errado, pelas razões certas. Como se isso fosse pssível (os fins justificarem os meios) e como se o fato de agredir quem discorda de sua opinão não fosse, por si só, um ato violento de impedir a posição contrária à sua.

É a isso que ela, e provavelmente você, chama de preconceito.

Boa parte dessa briga toda acontece por uma razão: as pessoas, como um todo, não sabem avaliar suas decisões.

É trabalhoso e, aparentemente desnecessário, avaliar decisões usando o mínimo de recurso lógico disponível: o argumento.

Não sabem duvidar da satisfação que busca ao agredir um ofensor, rir de um deficiente, gritar em uma discussão, ou da posição que mantém sobre a vida que leva. Nada pode estar errado, se o resultado e o meio são o seu prazer.

Assim, se aparece alguém que e diz “duvide do seu prazer. Ele não está tão certo assim. Não devemos concordar com TUDO o que as pessoas querem realizar em sua satisfação”, nos tornamos como a Tamires Fernanda.

Ela diz defender a liberdade e ser contra qualquer forma de preconceito. Entendendo preconceito como qualquer crítica ou postura contrária à satisfação pessoa. Seja ela qual for.

Se é verdade que minha satisfação é a medida de meus atos e que posso tudo, inclusive agredir quem diz que “não se pode tudo”, então eu posso, inclusive, agredir quem eu quiser. Se essa for a minha satisfação.

Deveríamos pensar em argumentar. Inclusive conosco. Mas, no geral, não sabemos faer isso. Não sabemos formular argumentos.

Sua satisfação é um monstro. E sua Liberdade é o resultado da sua satisfação. É isso o que você quer se tornar. Bem vindo ao admirável mundo novo.

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